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Minha primeira viagem ao Japão.

  • Foto do escritor: SBAV - SP
    SBAV - SP
  • há 11 minutos
  • 4 min de leitura

Por: Moacir Nagae |


Depois de muito ser questionado por nunca ter viajado ao Japão, dada minha linhagem genética, resolvi topar a proposta da minha irmã e da minha esposa em conhecer a terra do sol nascente.

Na verdade, além de um pouco de preguiça de fazer um voo tão longo nas férias, também nutria um certo receio de interagir com uma cultura tão diferente da nossa... costumava dizer que achava o povo japonês muito “estranho”!!! O que sempre era recebido pelos amigos com muitas risadas.

Fato é que depois de viajar para lá, continuo achando um povo diferente, talvez “estranho” não reflita adequadamente o meu pensamento, mas o receio era infundado. O povo foi muito acolhedor, não com abraços calorosos como estamos acostumados no Brasil, mas com um respeito e um sentido de servir ao cliente que vi em poucos lugares. O servir lá não é algo pouco nobre, pelo contrário, tem uma expressão de sucesso no trabalho, eu diria. Você vai passando pelo hotel, por exemplo, e os empregados vão te cumprimentando e qualquer necessidade é prontamente atendida. Outro ponto impressionante é a limpeza que parece uma filosofia de vida, claro que em uma cidade grande você vê um papel ou outro caído na rua, mas é exceção e cada um cuida do seu lixo mesmo, poucos lugares têm latas de lixo para você usar e a saída é guardar na bolsa até chegar no hotel.

Mas vamos à viagem em si. Como era nossa primeira viagem ao Japão, escolhemos os lugares mais conhecidos. Tokio, Monte Fuji que descobri ser uma região de produção de vinhos, Kyoto, Osaka, Nara e Hiroshima.

O que me impressionou em Tokio foi a organização do transporte coletivo, o trânsito fluido apesar de poucas calçadas em lugares menos modernos, e a mistura de templos milenares com a tecnologia. Contratamos um guia para o primeiro dia lá e achei excelente, aprendemos a andar de metrô, a história do Japão, a influência da China e Corea (para mim a Coreia foi uma surpresa!!) e a diferença entre Templos e Santuários além de como agir nos rituais religiosos.

  


O monte Fuji impressiona pela imponência e pela paisagem em seu entorno, é considerado sagrado, assim como tudo na natureza, mas seu tamanho e por ainda estar ativo o torna foco de muitas orações. Tivemos sorte no passeio por lá, pois dizem que é difícil um dia com céu limpo para poder vê-lo e conseguimos!! Deve ser difícil mesmo pois no dia seguinte o céu foi tomado pelas nuvens e ele apareceu por poucas horas. 

  


Ficamos em um Ryokan por uma noite e valeu a experiência!! O jantar foi um exemplo do que falei sobre o serviço apesar da comida em si ser bem tradicional e com alguns pratos diferentes do que estamos acostumados. Uma moça era responsável pelo nosso jantar no próprio quarto, trazia a comida, servia e ensinava como terminar de preparar alguns pratos. Um dos pratos era servido em uma panelinha quente e ela retirou todas as tampas que eram de metal e estavam superquentes também. Reparei que os dedos dela estavam vermelhos do calor da tampa, mas ela sempre sorrindo demonstrando a importância de servir bem!! Perdi a conta de quantos obrigados e por favor ela falou em um jantar.

  


Mas, como o texto é para a Sbav-SP, tenho que comentar que tirei o domingo de manhã para visitar uma vinícola na região. Estava sem reserva e escolhi o Château Mercian pois tinha um museu aberto a visitação além do bar para degustações. Como estávamos em 4 pessoas pedimos os 4 flights oferecidos no total de 13 vinhos diferentes, 4 tintos e 9 brancos.

A vinícola foi fundada em 1877 e é considerada a pioneira no Japão. Seu nascimento foi na era Meiji quando o Japão se abriu para o ocidente e hoje pertence ao grupo Kirin.

O destaque é a Koshu, uva autóctone, que na sua versão mais simples me lembrou um pouco saquê, mas acho que por influência de eu estar lá... e uma percepção de baixa acidez. Esta impressão foi por água abaixo quando experimentei o Iwade Koshu Ortum 2022 com acidez marcante, cítrico, salgado, longo. Muito bom vinho. Deve harmonizar muito bem com sushi, claro!!

O vinho que mais gostei foi o Mercian Hokushin Left Bank Chardonnay Rivalis 2021, fruta de caroço, acidez alta, caramelo, longuíssimo. Este achei excelente.

Foram 4 Koshus, 3 Chardonnays, 1 Albariño que estava bom e 1 Kerner (nunca tinha provado) que impressionou no nariz.

Sobre os tintos, tinha um mais leve da uva Muscat Bailey A, hibrida criada no Japão, bem simples. E 3 cortes bordaleses que eram muito bons, o destaque foi o Mariko Omnis 2018, com ameixa preta, terra, cedro, encorpado com seus 14% de álcool. Um corte típico de Bordeaux.

  


Além da visita à vinícola, tomamos mais 3 vinhos:

Kisvin Koshu 2024, achei simples, aroma mais neutro e pouca acidez;

Domaine Takahata Haut-Vigne Chardonnay 2023, outro Chardonnay que me agradou, fruta tropical, creme, baunilha, acidez alta e intenso.

Kogetsu Original Wine Koshu 2022, também simples, aromas ligeiros e também tive a percepção de pouca acidez, o que não é esperado para um vinho branco de clima frio... mas foi minha percepção.


     

Depois seguimos para Kyoto, cidade incrível. Me pareceu mais tradicional que Tokio, com o templo dourado que é de cair o queixo e a rua das gueixas, uma tradição artística muito respeitada por lá e que também tem a ver com o tema do servir bem.

  

De Kyoto, fizemos bate e volta para Nara com seus cerdos sagrados pelas ruas e o Templo Todai -Ji que abriga o Buda de Bronze gigante. 

  


Para Osaka e suas ruas iluminadas com uma vibração jovem. 

 


Para Hiroshima e as emocionantes marcas da bomba atômica, aproveitamos este dia e demos uma esticada para Miyajima com seu Tori flutuante e mais cerdos na rua.

  


Não posso deixar de falar de duas coisas mais... a comida em qualquer portinha é deliciosa, o sushi de atum nos mercados é espetacular!! E o tal de Cremia, que sorvete é esse!! E não dá para resistir às compras, cosméticos, tênis, facas, bonecas de madeira, cerâmica.... tudo muito bem-feito.

Ou seja, prepare-se para voltar com quilos a mais e yens a menos!! E a culpa não é dos preços lá, que estão bem razoáveis.

Foram duas semanas que deixaram a vontade de voltar. Quem sabe uma viagem para visitar as vinícolas japonesas que estão crescendo em prestígio?


Saúde!!! Ou melhor, Kampai!!! Por: Moacir Nagae - 06/08/2026

Foto: Wikimedia Commons



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